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CBCTEndodontiaLesões periapicais

Lesões periapicais: detecção precisa com CBCT

Cristian Rosas Méndez

Por

A radiografia periapical tem sido o exame de escolha para diagnóstico de patologias periapicais por décadas. Mas estudos comparando radiografia, CBCT e exame histopatológico mostram que até 39% das lesões periapicais reais não são vistas em radiografia periapical.

Por que a radiografia subdiagnostica

  • Lesão precisa atingir cortical óssea para ser vista (lesões puramente medulares passam despercebidas).
  • Sobreposição de estruturas anatômicas (seio maxilar, cortical mandibular).
  • Tamanho mínimo detectável em torno de 5 mm (lesões menores são invisíveis).
  • Densidade óssea variável afeta visibilidade.

Vantagens do CBCT

  • Detecção precoce: lesões de 1-2 mm são visíveis.
  • Sem sobreposição: avaliação tridimensional clara.
  • Mensuração precisa: volume e diâmetro reais.
  • Relação anatômica: proximidade com seio maxilar, canal mandibular, dentes adjacentes.

Indicações específicas

Quando indicar CBCT em suspeita de lesão periapical:

  • Sintomatologia persistente apesar de radiografia normal.
  • Suspeita de fratura radicular vertical.
  • Lesão de tamanho importante para avaliar relações anatômicas.
  • Dúvida diagnóstica entre lesão endodôntica e outra patologia (cisto residual, neoplasia).
  • Planejamento de cirurgia parendodôntica.

Diagnóstico diferencial

O CBCT auxilia na diferenciação entre:

  • Granuloma periapical: lesão pequena, hipointensa, contorno relativamente bem definido.
  • Cisto periapical: lesão maior, contorno corticalizado, geralmente acima de 1 cm.
  • Lesão fibroóssea: contorno radiopaco misto, sem corticalização.
  • Tumor odontogênico: características específicas conforme tipo.

Diagnóstico definitivo é histopatológico. CBCT orienta a hipótese e o planejamento.

Acompanhamento de tratamento endodôntico

Após retratamento de canais, o CBCT permite avaliar reparação óssea com precisão. Lesões em regressão mostram redução de tamanho e formação de osso trabecular. Lesões persistentes mantêm hipodensidade ou aumentam.

Limitações

  • Não substitui exame histopatológico para diagnóstico definitivo.
  • Artefatos metálicos próximos podem dificultar avaliação.
  • Voxel grande não permite avaliação fina de lesões pequenas — usar voxel ≤0,15 mm em endodontia.

Conclusão

O CBCT mudou o diagnóstico endodôntico ao permitir detecção de lesões pequenas e avaliação 3D de relações anatômicas. Não é exame de rotina, mas em casos complexos, sua sensibilidade superior à radiografia periapical justifica a indicação.

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