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CBCTEndodontiaDiagnóstico

Endodontia e CBCT: detecção de canais ocultos

Cristian Rosas Méndez

Por

A anatomia interna dos canais radiculares é mais complexa do que radiografias periapicais conseguem mostrar. Estudos com microtomografia revelaram que até 95% dos primeiros molares superiores possuem MV2, e que canais em C, ístmos e ramificações são frequentes.

Limites da radiografia periapical

A periapical é uma projeção 2D de uma estrutura 3D. Suas limitações em endodontia incluem:

  • Sobreposição vestíbulo-lingual de canais.
  • Dificuldade em diferenciar lesões pequenas (menos de 5 mm).
  • Impossibilidade de avaliar fraturas radiculares verticais não deslocadas.
  • Distorção geométrica que falseia mensurações.

Quando o CBCT é justificado em endodontia

De acordo com guidelines internacionais (AAE/AAOMR), o CBCT é justificado em:

  • Retratamento endodôntico: identificação de canais não tratados.
  • Anatomia complexa: dentes com história de canal acessório provável.
  • Suspeita de fratura radicular vertical.
  • Reabsorções internas e externas.
  • Lesões periapicais persistentes.
  • Trauma dentoalveolar.
  • Cirurgia parendodôntica: planejamento de apicectomia.

Voxel adequado

Em endodontia, voxel de 0,1 a 0,15 mm é o ideal. FOV pequeno (5x5 cm ou 4x4 cm) limita a dose à região de interesse e melhora a resolução. Não usar FOV grande para um único dente — viola o princípio ALARA.

Achados que mudam conduta

  • MV2 não tratado: em molar superior com lesão persistente, é a causa mais frequente.
  • Canal em C: comum em segundos molares inferiores; muda toda a abordagem.
  • Fratura radicular vertical: linha radiolúcida fina em corte axial; geralmente indica extração.
  • Reabsorção cervical externa: radiografia subestima extensão; CBCT mostra real comprometimento.

Cortes oblíquos

A análise endodôntica avançada se beneficia de cortes oblíquos perpendiculares ao eixo do dente. Esses cortes mostram canais em sua orientação real, facilitando a identificação de bifurcações, ramificações e ístmos.

Conclusão

O CBCT em endodontia não é exame de rotina, mas é decisivo nos casos complexos. Saber indicá-lo, lê-lo e integrá-lo ao plano de tratamento separa o endodontista atualizado do que ainda trabalha apenas com periapicais.

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