CBCT em cirurgia de terceiros molares
A extração de terceiros molares inferiores é um dos procedimentos cirúrgicos mais frequentes em odontologia. A complicação mais temida é a lesão do nervo alveolar inferior, que pode causar parestesia transitória ou permanente do lábio e queixo.
Por que panorâmica não basta
A panorâmica permite visualizar o siso e o canal mandibular, mas em projeção 2D. Estruturas que aparecem "tocando" o canal na panorâmica podem estar a milímetros vestibular ou lingualmente — informação invisível em radiografia plana.
Sinais de risco na panorâmica
Trabalhos clássicos descrevem 7 sinais radiográficos panorâmicos que sugerem proximidade real entre siso e canal:
- Escurecimento da raiz na sobreposição com o canal.
- Desvio do canal mandibular.
- Estreitamento do canal.
- Banda escura na raiz.
- Bifidação aparente da raiz.
- Estreitamento da raiz.
- Curvatura abrupta da raiz.
Quando um ou mais desses sinais estão presentes, há indicação de complementar com CBCT.
O que o CBCT mostra
- Posição vestíbulo-lingual exata do canal em relação à raiz.
- Contato real ou sobreposição apenas radiográfica.
- Relação tridimensional entre raízes e estruturas adjacentes.
- Presença de osso entre raiz e canal (parede óssea íntegra ou perfurada).
Classificações tridimensionais
Em corte coronal, a relação canal-raiz é classificada em:
- Lingual: canal por lingual da raiz (mais comum em sisos verticais).
- Vestibular: canal por vestibular da raiz.
- Apical: canal abaixo do ápice radicular.
- Interradicular: canal entre raízes (mais raro, mais arriscado).
Coronectomia: alternativa em casos de risco
Quando o CBCT mostra risco alto de lesão neural, a coronectomia (remoção apenas da coroa, deixando as raízes) tornou-se opção viável. Estudos mostram baixa taxa de complicações tardias e ausência de lesão neural quando bem indicada.
Quando indicar CBCT pré-cirurgia de siso
- Sinais panorâmicos de risco presentes.
- Sisos profundamente impactados.
- Pacientes com história de complicações neurológicas prévias.
- Casos onde se considera coronectomia.
- Sisos com raízes fundidas ou anatomia atípica.
FOV adequado
FOV pequeno (5x5 ou 6x6 cm) é suficiente para a maioria dos casos unilaterais. Se ambos os sisos inferiores apresentam risco, FOV médio (8x8 cm) cobre os dois lados em uma única tomada.
Conclusão
O CBCT em cirurgia de terceiros molares não substitui exame clínico nem panorâmica, mas adiciona informação crucial nos casos de risco. Investir 5 minutos lendo o exame antes da cirurgia pode evitar uma parestesia que acompanharia o paciente para sempre.
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