Planejamento de implantes com CBCT: passo a passo
O planejamento digital de implantes com CBCT virou padrão de atendimento em implantodontia moderna. A possibilidade de avaliar volume ósseo real, simular o implante virtualmente e gerar guias cirúrgicos transformou a previsibilidade dos casos.
1. Aquisição do CBCT
O exame deve ser feito com FOV adequado à região (8x8 cm para regiões parciais, 16x10 cm para arcadas completas) e voxel de 0,2 a 0,3 mm. Voxel menor não acrescenta valor diagnóstico para implante e aumenta a dose.
Posicione o paciente com plano oclusal paralelo ao chão e oriente que não se mova durante a aquisição. Próteses metálicas devem ser removidas se possível para evitar artefatos.
2. Avaliação anatômica
Identifique e marque estruturas críticas:
- Mandíbula posterior: canal mandibular, forame mentual, fossa submandibular.
- Maxilar posterior: seio maxilar, ostio sinusal, septos.
- Maxilar anterior: forame nasopalatino, fossa nasal.
- Mandíbula anterior: alça anterior do nervo, espinhas mentais.
3. Mensuração óssea
Em cortes oblíquos perpendiculares à crista óssea, meça:
- Altura óssea disponível (até estrutura crítica como canal ou seio).
- Espessura vestíbulo-lingual em três níveis (crestal, médio, apical).
- Densidade óssea estimada (qualidade tipo I a IV).
4. Planejamento virtual
Em software especializado, posicione o implante virtualmente respeitando:
- Distância de 2 mm de qualquer estrutura nobre.
- Distância de 1,5 mm entre implantes.
- Eixo protético adequado (prótese conduz o planejamento, não o oposto).
- Plataforma a 2-3 mm aquém da JCE adjacente.
5. Decisão sobre enxerto
Se a altura ou espessura forem insuficientes, decida no planejamento se haverá:
- Levantamento de seio (transcrestal ou lateral).
- ROG vestibular ou crestal.
- Enxerto em bloco.
- Implantes curtos ou estreitos como alternativa.
6. Guia cirúrgico
Com o planejamento aprovado, exporte o STL do guia para impressão 3D. O guia deve ter apoio dental, mucosa ou misto, dependendo da indicação. Cirurgia guiada reduz erro angular e linear, especialmente em casos com pouco osso.
Conclusão
O CBCT não substitui o conhecimento cirúrgico, mas amplia a previsibilidade. Casos que antes exigiam exposição cirúrgica ampla para "ver o osso" hoje são planejados com precisão milimétrica antes do paciente sentar na cadeira.
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