Periimplantite: como o CBCT auxilia no diagnóstico
Periimplantite é uma das principais causas de falha tardia de implantes dentários. Caracteriza-se por inflamação dos tecidos peri-implantares com perda óssea progressiva. Diagnóstico precoce é fundamental para preservar o implante e o investimento do paciente.
Diagnóstico clínico
Critérios clínicos incluem:
- Sangramento à sondagem.
- Profundidade de sondagem aumentada (geralmente >5 mm).
- Presença de pus.
- Mobilidade (em casos avançados).
Mas o critério radiográfico — perda óssea progressiva — só pode ser avaliado com imagem.
Limites da radiografia periapical
- Mostra apenas perda óssea mesial e distal (vestibular e lingual ficam ocultas).
- Padrão de perda em "crateras" pode não ser visível.
- Sobreposição com componentes protéticos.
- Comparação seriada exige técnica padronizada (paralelismo).
Vantagens do CBCT na periimplantite
- Avaliação 360°: perda óssea vestibular e lingual.
- Padrão de perda: classifica em horizontal, vertical, em crateras.
- Mensuração tridimensional: volume real da perda óssea.
- Avaliação da cortical remanescente.
- Relação com estruturas adjacentes: seio maxilar, canal mandibular.
Limites do CBCT em implantes
Implantes geram artefatos metálicos que podem mascarar a área peri-implantar. Esse é o principal desafio. Estratégias para minimizar:
- Algoritmos de redução de artefato metálico (MAR), disponíveis em equipamentos modernos.
- FOV pequeno focado no implante.
- Voxel adequado.
- kV mais alto pode reduzir artefatos.
Quando indicar CBCT
- Suspeita clínica de periimplantite com radiografia inconclusiva.
- Avaliação de extensão da perda óssea para planejar tratamento.
- Suspeita de fratura de implante.
- Avaliação pré-cirúrgica para regeneração óssea peri-implantar.
- Avaliação de implantes em região com possível invasão de seio.
Classificação radiográfica
- Estágio inicial: perda óssea limitada à crista, ≤3 mm.
- Estágio moderado: 3-5 mm de perda.
- Estágio avançado: >5 mm, comprometimento de mais de um terço do implante.
Tratamento orientado pela imagem
O padrão da perda óssea no CBCT orienta a abordagem cirúrgica:
- Defeito horizontal puro: prognóstico ruim para regeneração.
- Defeito vertical contido: bom prognóstico para enxerto e ROG.
- Combinado: prognóstico intermediário.
Conclusão
O CBCT é ferramenta valiosa no diagnóstico e planejamento da periimplantite, mas requer interpretação cuidadosa devido a artefatos metálicos. Combinado com exame clínico e periapicais seriadas, oferece o panorama mais completo possível para decisão terapêutica.
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