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Periimplantite: como o CBCT auxilia no diagnóstico

Cristian Rosas Méndez

Por

Periimplantite é uma das principais causas de falha tardia de implantes dentários. Caracteriza-se por inflamação dos tecidos peri-implantares com perda óssea progressiva. Diagnóstico precoce é fundamental para preservar o implante e o investimento do paciente.

Diagnóstico clínico

Critérios clínicos incluem:

  • Sangramento à sondagem.
  • Profundidade de sondagem aumentada (geralmente >5 mm).
  • Presença de pus.
  • Mobilidade (em casos avançados).

Mas o critério radiográfico — perda óssea progressiva — só pode ser avaliado com imagem.

Limites da radiografia periapical

  • Mostra apenas perda óssea mesial e distal (vestibular e lingual ficam ocultas).
  • Padrão de perda em "crateras" pode não ser visível.
  • Sobreposição com componentes protéticos.
  • Comparação seriada exige técnica padronizada (paralelismo).

Vantagens do CBCT na periimplantite

  • Avaliação 360°: perda óssea vestibular e lingual.
  • Padrão de perda: classifica em horizontal, vertical, em crateras.
  • Mensuração tridimensional: volume real da perda óssea.
  • Avaliação da cortical remanescente.
  • Relação com estruturas adjacentes: seio maxilar, canal mandibular.

Limites do CBCT em implantes

Implantes geram artefatos metálicos que podem mascarar a área peri-implantar. Esse é o principal desafio. Estratégias para minimizar:

  • Algoritmos de redução de artefato metálico (MAR), disponíveis em equipamentos modernos.
  • FOV pequeno focado no implante.
  • Voxel adequado.
  • kV mais alto pode reduzir artefatos.

Quando indicar CBCT

  • Suspeita clínica de periimplantite com radiografia inconclusiva.
  • Avaliação de extensão da perda óssea para planejar tratamento.
  • Suspeita de fratura de implante.
  • Avaliação pré-cirúrgica para regeneração óssea peri-implantar.
  • Avaliação de implantes em região com possível invasão de seio.

Classificação radiográfica

  • Estágio inicial: perda óssea limitada à crista, ≤3 mm.
  • Estágio moderado: 3-5 mm de perda.
  • Estágio avançado: >5 mm, comprometimento de mais de um terço do implante.

Tratamento orientado pela imagem

O padrão da perda óssea no CBCT orienta a abordagem cirúrgica:

  • Defeito horizontal puro: prognóstico ruim para regeneração.
  • Defeito vertical contido: bom prognóstico para enxerto e ROG.
  • Combinado: prognóstico intermediário.

Conclusão

O CBCT é ferramenta valiosa no diagnóstico e planejamento da periimplantite, mas requer interpretação cuidadosa devido a artefatos metálicos. Combinado com exame clínico e periapicais seriadas, oferece o panorama mais completo possível para decisão terapêutica.

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