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CBCTOrtodontiaDentes inclusos

Ortodontia e CBCT: avaliação de dentes inclusos

Cristian Rosas Méndez

Por

Dentes inclusos são desafio frequente em ortodontia. Caninos superiores são os mais comuns (incidência ~2%), seguidos de terceiros molares e segundos pré-molares inferiores. A localização precisa orienta o tratamento e evita complicações.

Limites da imagem 2D

Telerradiografia, panorâmica e periapicais informam a presença do incluso, mas:

  • Não localizam a posição vestíbulo-lingual.
  • Não detectam reabsorção radicular em dentes adjacentes em fase inicial.
  • Distorcem distâncias e angulações.
  • Falham em incluso muito profundo ou em região de sobreposição.

O que o CBCT mostra

  • Posição vestíbulo-lingual: orienta acesso cirúrgico (palatino vs vestibular).
  • Inclinação do eixo do incluso: direção e ângulo precisos.
  • Profundidade óssea: distância da coroa à mucosa.
  • Reabsorção radicular adjacente: precoce e quantificável.
  • Folículo dilatado ou cisto: diferenciação importante.
  • Dilaceração radicular: direciona vetor de tração ortodôntica.

Indicações específicas

  • Canino superior incluso de localização incerta.
  • Suspeita de reabsorção em incisivos adjacentes.
  • Incluso profundo ou ectópico.
  • Mais de um incluso (planejamento sequencial).
  • Pacientes adultos onde panorâmica não basta.
  • Falha de tracionamento ortodôntico prévio.

Classificação tridimensional do canino incluso

A classificação 3D considera:

  • Posição vertical: alta, média, baixa.
  • Posição transversal: palatina, central, vestibular.
  • Inclinação: horizontal, vertical, oblíqua.
  • Sentido da coroa: mesial, distal, lingual, vestibular.

Reabsorção radicular adjacente

Reabsorção do incisivo lateral é complicação frequente em caninos inclusos palatinos. CBCT classifica reabsorção em:

  • Grau 0: ausente.
  • Grau 1: reabsorção limitada ao cemento.
  • Grau 2: reabsorção em terço externo da raiz.
  • Grau 3: reabsorção até metade da raiz.
  • Grau 4: reabsorção mais extensa, com risco de perda do dente.

Casos avançados podem contraindicar tracionamento e indicar extração do incluso.

Planejamento cirúrgico-ortodôntico

Com CBCT, o cirurgião sabe antes da cirurgia:

  • Lado do acesso (palatino ou vestibular).
  • Profundidade da coroa.
  • Risco de comprometer dente adjacente.
  • Necessidade ou não de remover osso.
  • Vetor inicial de tração.

FOV adequado

Para um único incluso, FOV pequeno (5x5 cm) é suficiente. Para múltiplos inclusos ou avaliação cefalométrica concomitante, FOV médio.

Quando NÃO indicar CBCT

  • Inclusos simples bem visualizados na panorâmica.
  • Pacientes pediátricos pequenos sem sinal de complicação.
  • Casos onde a conduta não muda com informação 3D.

Conclusão

CBCT em ortodontia não é exame de rotina, mas é decisivo em inclusos complexos. Permite cirurgia mais segura, tracionamento mais eficiente e identificação precoce de complicações como reabsorção radicular adjacente.

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