Ortodontia e CBCT: avaliação de dentes inclusos
Dentes inclusos são desafio frequente em ortodontia. Caninos superiores são os mais comuns (incidência ~2%), seguidos de terceiros molares e segundos pré-molares inferiores. A localização precisa orienta o tratamento e evita complicações.
Limites da imagem 2D
Telerradiografia, panorâmica e periapicais informam a presença do incluso, mas:
- Não localizam a posição vestíbulo-lingual.
- Não detectam reabsorção radicular em dentes adjacentes em fase inicial.
- Distorcem distâncias e angulações.
- Falham em incluso muito profundo ou em região de sobreposição.
O que o CBCT mostra
- Posição vestíbulo-lingual: orienta acesso cirúrgico (palatino vs vestibular).
- Inclinação do eixo do incluso: direção e ângulo precisos.
- Profundidade óssea: distância da coroa à mucosa.
- Reabsorção radicular adjacente: precoce e quantificável.
- Folículo dilatado ou cisto: diferenciação importante.
- Dilaceração radicular: direciona vetor de tração ortodôntica.
Indicações específicas
- Canino superior incluso de localização incerta.
- Suspeita de reabsorção em incisivos adjacentes.
- Incluso profundo ou ectópico.
- Mais de um incluso (planejamento sequencial).
- Pacientes adultos onde panorâmica não basta.
- Falha de tracionamento ortodôntico prévio.
Classificação tridimensional do canino incluso
A classificação 3D considera:
- Posição vertical: alta, média, baixa.
- Posição transversal: palatina, central, vestibular.
- Inclinação: horizontal, vertical, oblíqua.
- Sentido da coroa: mesial, distal, lingual, vestibular.
Reabsorção radicular adjacente
Reabsorção do incisivo lateral é complicação frequente em caninos inclusos palatinos. CBCT classifica reabsorção em:
- Grau 0: ausente.
- Grau 1: reabsorção limitada ao cemento.
- Grau 2: reabsorção em terço externo da raiz.
- Grau 3: reabsorção até metade da raiz.
- Grau 4: reabsorção mais extensa, com risco de perda do dente.
Casos avançados podem contraindicar tracionamento e indicar extração do incluso.
Planejamento cirúrgico-ortodôntico
Com CBCT, o cirurgião sabe antes da cirurgia:
- Lado do acesso (palatino ou vestibular).
- Profundidade da coroa.
- Risco de comprometer dente adjacente.
- Necessidade ou não de remover osso.
- Vetor inicial de tração.
FOV adequado
Para um único incluso, FOV pequeno (5x5 cm) é suficiente. Para múltiplos inclusos ou avaliação cefalométrica concomitante, FOV médio.
Quando NÃO indicar CBCT
- Inclusos simples bem visualizados na panorâmica.
- Pacientes pediátricos pequenos sem sinal de complicação.
- Casos onde a conduta não muda com informação 3D.
Conclusão
CBCT em ortodontia não é exame de rotina, mas é decisivo em inclusos complexos. Permite cirurgia mais segura, tracionamento mais eficiente e identificação precoce de complicações como reabsorção radicular adjacente.
Experimente o CBCTHub grátis
Envie, visualize e compartilhe exames DICOM na nuvem. Sem instalar nada.
Criar conta grátisArtigos relacionados

Visualizador DICOM no navegador vs desktop: o que faz sentido para CBCT na clínica
Abrir o CBCT no navegador ou instalar um visualizador desktop? Matriz de decisão clínica: desempenho MPR, offline, Mac/Windows, compartilhar sem CD e quando o software nativo ainda ganha.

Como abrir um CBCT sem instalar software: guia prático com visor online
Você recebeu um CD, ZIP ou link com CBCT e não tem o visor do fabricante. Como abrir o DICOM no navegador, medir em mm e o que fazer se falhar.

Canal mandibular e nervo dentário inferior no CBCT: anatomia, variantes e medição pré-cirúrgica
Localize o canal mandibular e o NDI no CBCT: alça mentoniana, canal bífido/retromolar, checklist de medição e quando escalar da panorâmica (ALADA).