Esta lista de verificação foi pensada para o técnico radiologista ou o operador do equipamento. Percorra-a após cada aquisição, antes de entregar o estudo ao paciente ou enviá-lo ao solicitante. Se algum item crítico não for cumprido, avalie antes de invalidar o estudo se a informação diagnóstica essencial está disponível: às vezes um artefato em uma zona não relevante para o diagnóstico principal pode ser tolerado.
1. Dados administrativos
- Nome completo do paciente coincide com a solicitação
- Data do estudo correta
- Documento de identidade e dados de contato registrados
- Solicitação médica recebida e arquivada
- Consentimento informado assinado
- Gestação descartada (paciente do sexo feminino em idade fértil) ou consentimento específico de gestação assinado
2. Posicionamento do paciente
- Plano de Frankfurt horizontal (linha órbito-meatal paralela ao chão)
- Plano sagital médio centralizado e perpendicular ao chão (sem rotação lateral da cabeça)
- Mordida em oclusão habitual ou com separador interoclusal conforme protocolo
- Língua em repouso (não interposta entre as arcadas, salvo protocolo de vias aéreas)
- Cabeça apoiada e estável no suporte cefálico
- Ombros relaxados, paciente confortável, sem movimento previsível durante a aquisição
3. FOV (Field of View) e centralização
- FOV cobre completamente a região solicitada
- FOV não é excessivamente grande em relação à indicação (princípio ALARA)
- Centralização correta: a região de interesse ocupa a zona central do volume
- Sem cortes (cropping) inadvertidos em estruturas críticas (ex: ápices radiculares, côndilo mandibular se solicitado)
4. Exposição e parâmetros do equipamento
- kVp e mA conforme o protocolo da indicação (pediátrico, adulto, alta resolução, etc.)
- Tempo de exposição correto (a maioria dos equipamentos: 10–40 s)
- Equipamento em modo de menor dose possível compatível com qualidade diagnóstica
- Se paciente pediátrico: parâmetros pediátricos otimizados aplicados
5. Qualidade de imagem — Artefatos comuns
- Sem artefato de movimento (linhas duplas em bordas ósseas, cortes borrados)
- Sem artefato metálico crítico que oculte a região de interesse (coroas, implantes, brackets)
- Sem artefato em anel (ring artifact) por má calibração do detector
- Sem artefato de truncamento (FOV insuficiente para incluir tecidos periféricos)
- Sem artefato de endurecimento do feixe (beam hardening) excessivo em zona crítica
- Sem artefato de aliasing por undersampling (se observado, considerar reconstrução com voxel mais fino)
6. Completude anatômica
- Região solicitada totalmente incluída no volume
- Estruturas de referência visíveis conforme a indicação: nervo alveolar inferior, seio maxilar, assoalho orbitário, fossas nasais, côndilo mandibular, etc.
- Se ortodontia/cefalometria: vias aéreas e tecidos moles incluídos quando cabível
- Se ATM: côndilo e fossa glenoide bilateralmente quando solicitado bilateral
7. Reconstruções secundárias
- Cortes axial, sagital e coronal gerados corretamente
- Panorâmica reconstruída sobre a curva mandibular do paciente (não curva genérica)
- Cortes transversais adjacentes à curva, com espaçamento e espessura adequados
- Renderização 3D / iso-superfície gerada se a indicação exigir
- Brilho/contraste (Window Level) ajustado ao tipo de tecido predominante no caso
8. Dados DICOM e entrega
- Cabeçalhos DICOM com dados do paciente e do equipamento corretos
- Anonimização aplicada se o estudo for compartilhado externamente e o paciente exigir
- Estudo salvo no sistema de arquivamento do centro
- Entrega ao paciente: link compartilhado / DVD / USB conforme preferência indicada
- Se aplicável: laudo radiológico anexado ou pendente programado
- Comprovante de entrega ou registro no sistema
9. Documentação final
- Ficha de encaminhamento arquivada (papel ou digital)
- Consentimento informado arquivado
- Audit log ou registro do estudo no sistema
- Backup do estudo realizado (se o sistema não fizer automaticamente)
Erros frequentes a vigiar
- Artefato de movimento: o mais frequente. Aparece como contornos duplos em bordas ósseas. Aumenta em pacientes com tosse, ansiedade ou crianças. Mitigação: explicação prévia, suporte cefálico firme, instrução explícita de não engolir durante a aquisição.
- Artefato metálico: implantes, coroas metalocerâmicas e brackets ortodônticos geram estrias e sombreamentos. Se o paciente tiver aparelho fixo removível (Hawley, placa), retirar antes do estudo.
- FOV mal centrado: ápices apicais fora do volume em estudos endodônticos, ou côndilo cortado em estudos de ATM. Verificar sempre a abrangência vertical do FOV.
- Mordida incorreta: abertura excessiva ou fechamento forçado distorce a posição condilar e altera a oclusão registrada. Usar separador interoclusal padrão do centro.
- Plano de Frankfurt mal alinhado: em cefalometria 3D e ortodontia, um mau alinhamento inicial pode invalidar medições. Verificar antes de iniciar a aquisição.
- Língua ou bochecha interposta: simulam estruturas patológicas em cortes axiais superiores do maxilar. Indicar ao paciente língua "em repouso" antes da aquisição.